Corações Iluminados

A intensa luz de Cristo inundou a mente e os corações dos sábios do Oriente. Impulsionados pela irresistível luz do amor, da verdade, da justiça, colocam-se a caminho. Enquanto os sábios buscam a Deus, a luz divina os conduz desde o princípio. Os sábios perscrutavam os sinais dos tempos. Discernem o significado de tão misteriosa luz. O que essa luz queria significar, senão a inclusão de todos no mistério da comunhão da vida divina? Os sábios procuravam o sentido da vida. Não eram curiosos, mas sábios comprometidos com a construção da história dos seus povos. Assim são os verdadeiros cientistas e estadistas que oferecem seu contributo para a evolução da humanidade, necessitada de aprimoramento espiritual e temporal. Bem aventurados os construtores da paz, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça e que, por isso, até são perseguidos! (Cf. Mt. 5, 1ss).

O cenário descrito por Mateus (Cf. Mt. 2,1 ss) apresenta atitudes contraditórias e inconciliáveis entre a luz do amor fraterno e a treva do egoísmo deletério. Os sábios entreprendem longa viagem. Perseguem o itinerário da luz. Buscam a verdade. Seus corações e suas mentes oram e estudam, suas mãos operosas trabalham e se abrem para ofertar dons. Na luz divina compreendem que sua busca torna-se oportunidade para que chegue a todos o desenvolvimento integral. A espiritualidade integra-se e se materializa pelas obras, para além do testemunho do que viram e palparam, o Verbo da Vida.

Os sábios dirigem-se a Herodes que, então, convoca sacerdotes e doutores da lei para que descubram onde se encontraria o recém-nascido rei dos judeus. Instrumentaliza a Palavra de Deus para perseguir os outros. Herodes intenciona transformar os sábios em espias e lhes prepara uma cilada. Seu intuito era eliminar qualquer rival que colocasse em risco seu poder político, julgando-se acima do bem e do mal, como agem os déspotas ao se julgarem invulneráveis. Herodes surta de ódio e rancor. Ordena a matança de milhares de vidas inocentes. Assim agem os esquizofrênicos, egoístas, espíritos entrevados que nada buscam além de si, do poder e do dinheiro. Ditadores são insensíveis às reais necessidades e ao bem da coletividade.

Quanto aos sábios, contemplam a luz para espelhá-la aos outros. Não guardam a luz para si, mas, com desprendimento e levados pelo dever imperioso de colaborar para o crescimento dos povos, assim tornam-se humildes operadores do bem. Nossa luz não é própria, mas vem do Senhor da vida que nos inclui na tarefa construtiva da vida. A única maneira de vencer na vida é deixar-se conduzir pela luz do amor de Deus, única a nos levar ao serviço ao próximo, por amor.

 


Dom Aldo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba