Ressurreição

O Credo, o símbolo sintético da fé cristã, importa nas expressões e, sobretudo, na atitude fundamental da aceitação e do seguimento a Jesus Cristo como único Senhor e Salvador de sua vida: “Creio em um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, Luz da Luz Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas e por nós, homens, e pela nossa salvação desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras e subiu ao céu onde está sentado à direita de Deus Pai. E de novo há de vir para julgar os vivos e os mortos e o seu reino não terá fim”.

Para nós, cristãos, a ressurreição é realidade espiritual, transcendente. Jamais caberia em conceituações filosóficas. Não se crê apenas. Vive-se a fé na ressurreição como dom permanente, recebido de Deus. Também se vive como uma missão personalizada, individualizada, como uma resposta de amor, de um amor inexprimível, de amor que se entrega, amor que se disponibiliza, que entusiasma, que se alegra, que confia e, junto à pessoa amada propõe-se no dia a dia à tarefa de semear, cultivar e colher os frutos da vida nova, em Cristo, no Espírito! Essa experiência personalizada só compreende quem aceita a passar por dentro dela, colocando-se para dentro de casa, não ficando por fora, “curiozando”.

Trata-se da certeza de quem se sente amado(a) por Deus e por isso sente também a necessidade de levá-la a todos os que queiram conhecê-la profundamente. O fato da ressurreição de Cristo torna-se a experiência, como encontro personalizado, passando pouco a pouco pelas fases que Jesus passou (brevemente descritas no Credo, acima exposto). O Verbo é o “Logos”, a Palavra, feito verdadeiro homem, sendo verdadeiro Deus. Jesus, o Filho do Pai, integra em si tudo o que Ele veio fazer na terra e no cosmos: restabelecer a comunhão de amor do Pai com a humanidade e dos homens e dos povos entre si. Jesus Cristo conserva a sua missão de salvação, continuando a construção do mundo e da história – a partir de sua vida em plenitude, a vida nova da ressurreição.

O que a ressurreição tem a ver com a vida que a gente leva? Tudo a ver, no sentido de reconstruir a vida e a história em base à verdade, à justiça, ao amor, à misericórdia, à paz! Não podemos parar de construir o bem, em base à vitória da vida sobre a morte, à vitória da ressurreição de Jesus, condenado, assassinado, aparentemente fracassado na cruz. Essa atitude fundamental jamais seria aceita pelos que rejeitam colaborar na superação das contradições, do ódio, das guerras, do mal. Somente consegue compreender a ressurreição quem vive de fé, esperança e amor.

O sentido da Páscoa é passagem do egoísmo para o amor, passagem que supera as negatividades, fazendo delas oportunidades para aprender com as lições da vida e evoluir no conhecimento das realidades do plano superior desta e da outra vida, a vida que se plenifica após a morte corpórea.


Dom Aldo Pagotto, sss
Arcebispo Metropolitano da Paraíba